14-07-2008
REFLETINDO O ANO PAULINO - Pe. José Francisco Schmitt, scj.
ANO PAULINO
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2000 anos de nascimento de São Paulo
“Viveu e trabalhou por Cristo;
Por ele sofreu e morreu.
Como é atual, hoje, o seu exemplo!”
(Bento XVI).
Nasceu com o nome original de Saulo, em hebraico também Saul, como o rei Saul, judeu da diáspora, em Tarso (cidade de 300.000 hab.), na região da Cilícia, Ásia Menor, atual Turquia (At 9,11; 21,39; 22,3), cidadão romano e membro da tribo de Benjamim. Tarso era um centro urbano importante de cultura e de comércio do Império Romano. A estrada romana que fazia a ligação entre o Oriente e o Ocidente passava por lá. Quanto ao seu nascimento, na verdade, não se sabe nem o dia e nem exatamente o ano que nasceu (entre os anos 7 e 10 d. C.). Só se sabe que é nascido em Tarso e criado em Jerusalém(cf. At 22,3;26,4-5).
Bem jovem ainda, ele foi a Jerusalém para estudar a Lei mosaica aos pés do grande rabino Gamaliel e pertenceu ao grupo dos fariseus. Ele aprendeu também um oficio manual e rústico, a fabricação de tendas. Ele mesmo dizia: “Todos os judeus sabem como foi minha vida desde minha juventude e como, desde o início, vivi no meio do povo e em Jerusalém” (At 26,4).
Enquanto Paulo estudava em Jerusalém, vivia em Nazaré, um outro jovem chamado Jesus. Era pobre. Não teve condições de estudar em Jerusalém. Para poder sobreviver, Jesus trabalhava na roça e na carpintaria de José. Paulo e Jesus, os dois, ao que parece, nunca se encontraram em vida (cf. 2 Cor 5,16). Jesus era de cinco a oito anos mais velho que Paulo. Os dois devem ter recebido a mesma formação básica em casa, na sinagoga e na escola ligada à sinagoga.
Paulo era da grande cidade. Jesus era de uma pequena cidade, Belém, cerca de 2.000 pessoas. Paulo era de cultura urbana, falava quatro línguas. Ele conhecia o hebraico, o aramaico, o grego e talvez o latim. Paulo pregava nas metrópoles. Jesus limitou-se praticamente à Galiléia, vivendo e anunciando o Reino de Deus nas aldeias. A linguagem de Jesus era tipicamente rural, do interior, sinal de que ele vivia num contexto e cultura do campo. Seus exemplos são quase sempre a terra, as sementes, o trigo e o joio, a videira e os ramos, o pastor e as ovelhas, os pardais e os lírios, a rede e os peixes, a mulher amassando o pão ou girando o moinho.campo...
O evangelista Lucas, nos Atos dos Apóstolos narra 3 vezes como se deu a conversão repentina de São Paulo na Estrada de Damasco (At 9,1-19; 22,4-16; 26.9-18), mas nada informa sobre a conversão prolongada que se estende por treze anos deste segundo período. São treze anos de silêncio. De reflexão e de interiorização.
Para melhor visualizar o arco da trajetória da vida de São Paulo, é interessante termos presente os quatro grandes períodos de sua vida:
1. Do nascimento aos 28 anos de idade: foi um judeu observante da Lei de Moisés;
2. Dos 28 aos 41 anos de idade: foi um convertido fervoroso;
3. Dos 41 aos 53 anos de idade: foi um missionário itinerante;
4. Dos 53 até à morte aos 62 anos de idade: foi prisioneiro (quatro anos) e por mais cinco anos, ele foi organizador de comunidades.
São Paulo, escrevendo aos cristãos da comunidade de Corinto, deixou-nos uma lista impressionante de seus trabalhos pela pregação do Evangelho:
“Falo como loco: eu o sou muito mais. Muito mais pelas fadigas; muito mais pelas prisões; infinitamente mais pelos acoites; freqüentemente em perigo de morte; dos judeus recebei cinco vezes os quarenta golpes menos um. Fui flagelado três vezes; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; passei um dia e uma noite em alto mar. Fiz muitas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de raça, perigos por parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos. Mais ainda: morto de cansaço, muitas noites sem dormir, fome e sede, muitos jejuns, com frio e sem agasalho. E isso para não contar o resto: a minha preocupação cotidiana, a atenção que tenho por todas as igrejas (cf. 2 Cor 11,23-28).
Esta é a impressionante figura de São Paulo. O maior missionário de todos os tempos da história da Igreja. De Antioquia, o Evangelho se espalhou pelo resto do mundo, sobretudo a partir das viagens missionárias e evangelizadoras do apóstolo Paulo. Assim um pouco mais de 20 anos depois da morte de Jesus, já havia comunidades cristãs em todo o Império Romano, incluindo em Roma. São Paulo, em suas atividades apostólicas, fez mais de 16 mil quilômetros, viajando 9 mil por terra e 7 mil por mar. Tudo por causa do Cristo, por causa do Evangelho. Pois ele mesmo chegou a escrever aos romanos: “Ai de mim se eu não a anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16).
Paulo foi um homem totalmente tomado pela graça da misericórdia e força do amor de Deus em Jesus Cristo. Todo o ser da vida de São Paulo respirava e transpirava Cristo vivo. Para ele, Cristo era a suprema vida de sua vida. Por isso, ele mesmo escreveu na carta aos gálatas:
“Fui morto na cruz com Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,19b-20).
Paulo tinha 52 anos quando foi preso na praça do templo. Ficou na prisão durante quatro anos: dois em Cesaréia, na Palestina (cf. At 24,27), e dois em Roma, na Itália (cf. At 28,30). Depois foi solto e viveu mais cinco ou seis anos, até à nova prisão que o levou à morte.
O Apóstolo Paulo, discípulo e missionário do Senhor, brilha como estrela de primeira grandeza na história da Igreja e não somente da Igreja das origens. O nome dele aparece 201 vezes nos Atos dos Apóstolos. Em todo o Novo Testamento, o nome de Paulo aparece 235 vezes. São João Crisóstomo o exalta como personagem superior inclusive a muitos anjos e arcanjos. Na Divina Comédia, Dante Alighieri, inspirando-se no relato de Lucas em Atos, descreve-o simplesmente como “vaso de eleição”: escolha divina, que significa: instrumento escolhido por Deus. Outros o chamaram de “décimo terceiro Apóstolo”, ou diretamente “o primeiro depois do Único”.
Portanto, o Ano Paulino é um convite para ser comemorado como momento de graça em nossas comunidades. A personalidade de São Paulo é uma demonstração viva como Jesus pode transformar a vida, a cultura e a história de uma pessoa.
Somos todos convidados a trabalhar na Igreja no Brasil o Ano Paulino juntamente com a promoção do Ano Catequético da CNBB que acontecerá em 2009.
Concretamente, o que podemos fazer durante o Ano Paulino? A melhor sugestão que podemos apresentar aos que estão interessados a conhecer a vida e a obra do Apóstolo Paulo é ler, estudar e aprofundar as suas cartas. Pois conhecer os escritos de São Paulo, é conhecer a pessoa de Jesus Cristo. Só tem verdadeiro sentido o Ano Paulino em vista do mistério da pessoa de Jesus Cristo. Sem Cristo, a figura de Paulo não significa nada.
É exatamente o que ele quer dizer: “julgo que tudo é prejuízo diante deste bem supremo que é o conhecimento do Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa Dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele” (Fl 3,8-9).
Caro amigo e amiga, vale a pena de fazer este esforço de freqüentar e revisitar os escritos paulinos, para encontrar aí, de forma bem pessoal, íntima e apaixonadamente a pessoa de Jesus Cristo. Sirvamos do testemunho escrito de São Paulo para conhecer e apaixonar-se por Cristo.
Dia 28 de junho de 2008:
Abertura do Ano Paulino,
Pe. José Francisco Schmitt, scj.
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