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Matéria do Informativo - 60
Entrevista com padre Ilmo: “Saio daqui feliz”

O jornal Comunicando entrevistou o padre Ilmo, que revelou todo o seu agradecimento pela vivência adquirida em nossa paróquia. Acompanhe:

Comunicando  - Como o sr. foi recebido aqui quando chegou, em 1998?

Padre Ilmo - Foi uma acolhida calorosa, festiva e cercada de muita expectativa. Na missa, dom Nelson fez um pedido: que eu ficasse ao menos 5 anos, pois, até então, os párocos não tinham 2 anos de média de permanência aqui. Acabei ficando oito.

Comunicando - Como o sr. avalia o seu trabalho aqui?

Padre Ilmo - Avalio o trabalho de forma positiva. Houve erros sim, como em todo trabalho, mas os acertos foram bem maiores. Nos primeiros 5 anos houve um desgaste muito grande devido ao excesso de trabalho e os poucos padres para acompanhar todas as pastorais, movimentos, conselhos pastorais e administrativos. Nestes anos, trabalhei praticamente sempre no limite do meu tempo e condições físicas pois a Paróquia é muito grande. O que avalio mais positivamente foi o investimento na formação. Sei que isto é uma semente plantada cujos frutos aparecem com o tempo.

Comunicando - O sr. impulsionou as comunidades a reformar e a construir suas capelas. Como foi?

Padre Ilmo - Na verdade, foram construídas, ainda não todas concluídas, 5 igrejas, 3 já estavam iniciadas e 1 foi reformada. Tudo isto aconteceu por uma necessidade. Temos que ter templos cada vez maiores e mais confortáveis para dar condições ao povo celebrar bem o que dele pedimos. Construir não é fácil, todo mundo sabe, mas era e é uma necessidade. No começo, fiquei em dúvida entre ampliar a igreja matriz ou construir uma casa de retiros. Optei pela igreja, pois era um desejo do povo há anos e uma necessidade mais urgente.

Comunicando - O sr. errou em alguma coisa. O que faria novamente?

Padre Ilmo - A maioria das coisas faria de novo. Claro, com algumas mudanças que a gente vai aprendendo com o tempo. Mudaria um pouco meu jeito de ser, lidar com o povo. Penso que passei uma imagem de "padre bravo" e fechado para o povo. Sei que isto não fez bem. Aprendi que a gente pode e deve ser exigente, justo e cobrar as coisas, mas de uma maneira mais serena. O que não mudo é a questão da justiça. As normas e leis na igreja, mais do que em qualquer outro lugar, devem ser iguais para todos. Não pode haver privilégios. Exceções, sim, mas com critérios evangélicos e pastorais e não para fazer agrados a amigos.

Comunicando - Para onde o sr. foi transferido?

Padre Ilmo - Irei para a paróquia Nossa Senhora da Candelária, na Vila Maria, em São Paulo, Capital. Costumo não criar muitas expectativas. Sei que também é uma paróquia grande e no maior centro urbano do país. Todo "novo" dá numa certa insegurança e medo, mas terei que me adaptar e com muita prudência iniciar o trabalho.

Comunicando - Como o sr. avalia a sua caminhada sacerdotal?

Padre Ilmo - Avalio como muito positiva e, a cada nova paróquia, acumulo mais experiência. Continuo muito motivado para exercer minha missão e também tentando melhorar cada vez mais a qualidade da minha vida presbiteral e religiosa.

Comunicando - E qual a mensagem que o sr. deixa em sua despedida?

Padre Ilmo - Minha mensagem é de agradecimento a todos. Especialmente às lideranças que sempre assumiram sua missão comigo e caminharam juntos. Desculpas a aqueles que ofendi ou não agradei. Queria ter sido melhor em tudo e para todos, mas agora já passou e só posso sê-lo daqui para frente.

Agradeço à Diocese, que muito me ajudou na organização pastoral e administrativa. Continuo dizendo, como sempre, que a paróquia tem um enorme potencial em todos os sentidos.

Faço um pedido para que as lideranças continuem assumindo seu papel e o façam com amor. Que sejam também devidamente valorizadas e incentivadas. Saio daqui muito feliz e com a consciência tranqüila por aquilo que fui nestes 8 anos. Aprendi muito, com certeza, mais do que ensinei. Sei que não fiz tudo certo, mas sempre tentei acertar. Enfim, um adeus e um abraço sacerdotal a todos.






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